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Beirute Ocidental: um retorno ao Líbano de 1975
14/1/2007
Numa convergência entre a produção artística e histórica, sugerimos excelente o filme de Ziad Doueiri, “Beirute Ocidental”, para aqueles que desejam conhecer um pouco mais sobre a Guerra Civil Libanesa. Leia aqui sobre o filme.

A produção artística pode nos aproximar do passado distante narrado nos livros de História. A música, a fotografia, a poesia, a literatura e o cinema nos trazem as impressões e as sensibilidades que as narrativas factuais, muitas vezes, deixam escapar. Ao debater e expor os quinze anos da Guerra Civil Libanesa, em uma incessante busca pelo “exato” encadeamento dos fatos, acabamos perdendo o cotidiano vivenciado pelos habitantes de Beirute, esquecendo-nos de que uma guerra não é feita somente de jogadas políticas e homens armados.

O filme dirigido pelo libanês Ziad Doueiri, Beirute Ocidental (1998), evoca justamente a trama das relações pessoais, do lirismo, das paixões e esperanças que os homens, mesmo sob uma situação de extrema tensão conseguem cultivar. Em abril de 1975, quando um ônibus palestino é atacado por falangistas, a Guerra Civil eclode no país. Tarek, o carismático jovem protagonista de Beirute Ocidental, está nesse exato momento na escola, envolvido em pendengas com sua professora francesa, quando se ouve o barulho do desastre. No dia seguinte, ele e seus colegas já não poderão mais ir à escola. Tudo está fechado e a cidade se envolve em uma nova dinâmica, dividida em dois territórios distintos. Há agora, a Beirute Oriental, controlada pelos cristãos, e a Beirute Ocidental, território das milícias muçulmanas, e local onde mora Tarek e seus companheiros.

Para os jovens o caos político representa, a princípio, a liberdade. Sem a obrigação de irem à escola, saem pela cidade de bicicleta captando imagens com uma câmera Super-8. Chegam a cruzar muitas vezes os limites proibidos, adentrando em ruínas que se transformam em cenários de brincadeiras. Mas quando cai a noite, o barulho das explosões e a necessidade de correr para os abrigos, não os deixam esquecer que Beirute está em guerra. Vemos assim, os personagens do filme se defrontarem com os problemas e questionamentos que uma guerra impõe aos civis: a escassez dos alimentos, a falta de dinheiro, a vontade de ficar e a necessidade de partir.

Com um olhar atento aos detalhes do cotidiano, Ziad Doueiri traz em Beirute Ocidental uma forte carga autobiográfica. “Durante os primeiros anos da Guerra, a despeito de toda a ansiedade que eu percebia em meus pais, eu era incapaz de senti-la em mim”, comenta, “Eu não nasci com medo, mas o adquiri”. Seu filme descreve, portanto, o despertar deste medo.

FICHA TÉCNICA
Ano de Produção: 1998
Título Original: Beyrouth Al Gharbiyya
Tempo de Filme: 105 min
País: França, Líbano, Bélgica



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