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Jornal LOrient Le Jour entrevista Roberto Duailibi
15/8/2014
Na matéria, o publicitário fala sobre sua carreira, a importância da comunicação, o Centro de Estudos FamilyD e a situação dos refugiados no Líbano. Confira a entrevista de Nathalie Nassif, traduzida por Cristina Casagrande de Figueiredo Semmelmann.

O Líbano deve mostrar ao mundo o que ele é de verdade

ENTREVISTA
Roberto Duailibi, um grande publicitário líbano-brasileiro, fala sobre seu trabalho no Brasil em favor da cultura libanesa, seu compromisso com sua família e com sua pátria de origem e sobre a importância da comunicação.


Ele sempre participou dos eventos ligados à comunidade libanesa, seja no Líbano ou no Brasil. Seu nome é Roberto Duailibi e é um dos maiores publicitários brasileiros. Fundador e sócio da célebre agência de publicidade DPZ, ele é reconhecido mundialmente e premiado várias vezes por seu trabalho. Além de suas numerosas atividades em diferentes organizações, Roberto Duailibi leciona na universidade, escreve livros e é um conferencista internacional muito solicitado.

Seu pai, Wadih Duailibi, nascido no Líbano, chegou ao Brasil aos 25 anos. Pouco tempo depois, casou-se Cecília Fadoul. De sua união nasceu Roberto, o quinto de sete filhos. Desde sua infância, o pequeno garoto é interessado nas origens de sua família. Nos anos 70, esse interesse deu vida ao embrião do que hoje é um importante centro de pesquisa da história e do percurso da Duailibi no Brasil. Ele se tornou o « Centro de Estudos da Imigração Libanesa », que está instalado em uma bela sede social em São Paulo, no bairro do Morumbi.

Neste ano, Roberto Duailibi foi ao Líbano em ocasião da Conferência de Recursos Energéticos da Diáspora Libanesa. Ele participou de diferentes mesas-redondas, trazendo sua experiência e seus conhecimentos para elas. Ele descreveu a homenagem que recebeu durante a conferência como uma «grande honra».

OLJ Quais são as atividades do Centro de Estudos da Imigração Libanesa em São Paulo?
R.D. Tudo começou quando eu contatei uma equipe de profissionais para me ajudar a localizar os Duailibis no Brasil. A ideia inicial era mostrar a árvore genealógica da minha família e manter a união entre seus membros. Mas o projeto cresceu com o tempo e acabou se tornando um centro de estudos de qualidade. Nós fazemos pesquisas sobre a imigração libanesa no Brasil e mantemos uma vasta biblioteca, bem como uma coleção de obras de arte do Oriente Médio e da Europa Oriental.
Mantemos igualmente um site que nos permite trocar conhecimentos com os pesquisadores do mundo inteiro. Graças à Internet, nós fizemos parcerias importantes com universidades e centros de pesquisa internacionais.

As mesas-redondas organizadas durante a conferência diziam respeito principalmente aos direitos dos libaneses no exterior e aos meios de construir pontes entre os residentes e os emigrados.

Eu acredito que o único fato de termos nos reunido já é um grande avanço.
O evento foi um sucesso e, a partir de agora, as trocas serão estimuladas e os laços serão atados em diferentes campos. É claro que uma única conferência não é suficiente para resolver tudo, mas foi uma iniciativa louvável. A partir do momento em que se tem um olhar de fora sobre o Líbano e se reflete junto sobre as soluções para tirar preconceitos sobre esse país e contribuir para seu desenvolvimento, surte um efeito muito grande em benefício dos libaneses em médio e longo prazo.

O que seria necessário, na sua opinião, para conter o fluxo de refugiados no Líbano?
Eu acho essa situação extremamente preocupante e eu tenho certeza de que a comunidade internacional tem a mesma opinião.
O Líbano é um país pequeno que não tem meios de acolher mais de dez milhões de refugiados e fornecer a todos a assistência necessária. Um problema dessa grandeza necessita de uma solução global. É preciso que a comunidade internacional se una, não apenas para encontrar um meio de resolver essa crise, mas também para poder ajudar financeiramente o país em guerra a se reconstruir, afim de que seus habitantes não sejam obrigados a abandonar suas casas. Enquanto isso, é urgente que os fundos internacionais sejam desbloqueados, com o intuito de levar a essas populações vulneráveis a ajuda que elas necessitam.

Você acredita que se deveria investir mais na comunicação para desenvolver os intercâmbios entre os libaneses residentes e a diáspora como foi sugerido durante a conferência?
Essa proposta foi uma das boas surpresas do evento. A hashtag LebanonConnect criada para o lançamento permitiu aos imigrantes do mundo inteiro postar fotos e testemunhos. É uma ideia muito boa e deve continuar a funcionar. Derrubando as barreiras físicas ou geográficas, as redes sociais oferecem possibilidades infinitas. É importante para o Líbano se utilizar delas para difundir o máximo de informações possíveis sobre sua história, sua cultura e suas belezas naturais. Mas se o investimento na comunicação é importante, o planejamento também é. E, pelo que já pude constatar, o que tem sido feito nesse campo é um sucesso. Eu espero que o Líbano prossiga com seus esforços nesse sentido, que o interesse não desmorone e que se dê sempre a atenção merecida à comunicação.

O que se deve fazer, na sua opinião, para modificar a imagem frequentemente equivocada que os brasileiros têm do Líbano?
É verdade que o público tem uma imagem equivocada do Líbano, a que a imprensa ocidental não deixa de usar. As pessoas desavisadas têm a tendência de confundir o Líbano com os outros países onde se fala árabe.
A comunicação é uma ferramenta indispensável para mudar as ideias equivocadas, combate preconceitos e, sobretudo, constrói uma nova imagem. O Líbano deve mostrar ao mundo aquilo que ele é realmente. Mas uma comunicação eficaz não consiste apenas em servir às mídias online e offline. Ela deve também organizar os eventos no país, desenvolver as relações públicas e internacionais, incitar as populações locais a promover sua região, estimular o turismo e valorizar a diversidade cultural. É necessário produzir filmes, difundir os livros, enfim, fazer circular a informação, porque o conhecimento é a melhor arma para lutar contra o preconceito.

Você escreveu um dia que seu pai construiu sua vida em três pilares: trabalho, humanidade e amor da família. Você poderia nos falar um pouco de sua família e nos dizer se seus descendentes conservaram as mesmas ligações que você tem com as raízes libanesas?

Meu pai nasceu em Zahlé. Depois dos estudos de farmácia em Paris, ele foi para São Paulo onde conheceu minha mãe. Meus pais investiram muito em nossa educação. Apesar das dificuldades e tinha muita na época , eles nos puseram em boas escolas e nos encorajaram a ler, escrever e debater sobre os assuntos. Esse ambiente cultural me ajudou muito. Quando eu era criança, eu ouvia línguas diferentes em casa e vivia rodeado de livros. Enfim, eu tive uma educação muito estimulante. Meu pai era um empreendedor que jamais hesitou em se mexer para avançar. Depois de ter trabalhado como farmacêutico, ele se lançou na venda e exportação de tecidos, pois abriu seu próprio negócio. Ele se esforçou a vida toda, com uma grande determinação e muita dedicação para nos educar com dignidade. Nossa infância foi nutrida de histórias sobre o Líbano e o Oriente Médio. Contaram para nós sobre as viagens, a adaptação, a luta que nossos antepassados tiveram quando chegaram ao Brasil. Minhas raízes libanesas contam muito para mim. De uma certa maneira, é essa ligação que eu me esforço para manter no Centro de Estudos. Podemos descobrir os caminhos dos antepassados, salvaguardar as lembranças das famílias e acessar numerosas informações importantes, permitindo assim compreender o papel fundamental que desempenharam os imigrantes libaneses no desenvolvimento do Brasil. Nosso campo de pesquisa não se limita à história de nossa família, ela concerne ao grupo e à época histórica a que nos pertencem.

Veja a matéria original, em Francês:
http://www.lorientlejour.com/article/877053/-le-liban-doit-montrer-au-monde-ce-quil-est-reellement-.html



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