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Eduardo Duailibi traz fotos e histórias à FamilyD
18/5/2006
Em visita ao Centro de Estudos FamilyD, no dia 12 de abril de 2006, Eduardo Duailibi trouxe uma riquíssima contribuição: além de preciosas fotos, ele relatou-nos algumas lembranças e curiosidades da família. Leia aqui sua entrevista!

Entrevista com Eduardo Duailibi, 12 de abril de 2006
(Nascido em 25 de abril de 1925, Campo Grande, MS)

FD: O senhor chegou a conhecer seus avós, bisavós?
ED: Meu avô materno eu conheci, os outros infelizmente eu não conheci. Meu avô paterno chamava-se José, e minha avó, Maria. Meus avós maternos Salomão e Catarina. Meu pai emigrou de Zahle no Líbano e minha mãe é de lá também. Eles foram para Campo Grande, se conheceram em Campo Grande, namoraram e casaram em Campo Grande. Meu pai era açougueiro e boiadeiro. Ele corria as fazendas de Mato Grosso comprando gado para organizar uma boiada. De lá trazia essa boiada com os peões no lombo dos cavalos até São Paulo, para vender em São Paulo. Essa viagem dele durava mais ou menos uns 30 dias. De Campo Grande ele veio para Araraquara. Comprou uma máquina de beneficiar café. Ficamos alguns anos, mas não deu muito certo. Aí ele voltou para São Paulo, trocou a máquina que ele tinha lá em Araraquara e voltou para São Paulo; trocou por um Hotel na Rua Florêncio de Abreu chamado Hotel Moderno. Do Hotel Moderno ele comprou o Hotel Palace, antes do Palace ele comprou o Palermo na mesma rua Florêncio de Abreu, depois o Palace e por último o Bardoni. E também em Minas Gerais em Campo Belo ele teve um hotel, chamado hotel Maracanã. Depois de certa idade ele se retirou e morou pouco tempo em São José dos Campos. De São José dos Campos ele foi morar em Santos, na Praça Independência que existe até hoje. E lá, infelizmente, ele terminou seus dias lá em Santos. Tanto ele como a minha mãe.

FD: Quais as lembranças o senhor guarda da sua mãe, das histórias sobre os Duailibi?
ED: Meu pai trouxe todos os irmãos para cá, tanto o Nagib como o João, o Elias. Aqui ficaram todos em Mato Grosso. O Nagib também era muito dinâmico, teve até um circo, mas quando o meu tio ficou doente, ele teve que voltar para Zahle no Líbano porque o médico disse que aqui ele não tinha cura, não poderia ficar mais senão tinha perigo de vida. Assim, eu fui tocando minha infância. Estudei aqui quando o pai estava em Araraquara, estudei no grupo escolar, depois eu vim pro Liceu Coração de Jesus em São Paulo, onde me formei perito contador em 1944. E aí também que eu fiz a minha escola de instrução militar 242 que era anexa ao Coração de Jesus.

FD: Sobre a família, o que o senhor ouvia falar? Quais os motivos que os fizeram vir pro Brasil.?
ED: A imigração acontecia porque tinha muita dificuldade lá, então eles imigravam para procurar uma vida melhor. Meu avô [Salomão Saad] veio antes para Campo Grande, aliás, ele é quase um dos fundadores de Campo Grande. A minha mãe veio depois. Era uma moça muito forte, ela participava lá na política, às vezes havia uma controvérsia com os cristãos, então ela era mulher muito forte e valente, aí com isso ela teve que vir logo para o Brasil porque uma vez ela tirou o tio dela duma briga lá e ela passou a mão num pau e saiu distribuindo paulada, arrancou até a orelha de um lá. Então ela teve que vir logo pro Brasil. Uma vez uma pessoa procurou ela em Campo Grande, só queria vê-la mas o meu pai e meu avô não deixaram.

FD: O senhor conhece alguma lenda sobre a família ou a respeito da origem do sobrenome Duailibi?
ED: Tem algumas histórias, mas eu não tenho assim grandes certezas. Mas o meu tio que foi para o Líbano ficou doente no Líbano, muito doente e foi internado lá num hospital. Teve um médico que tratou dele, que conversava muito com ele e perguntou se ele tinha imigrado aí ele falou: ah eu fui pro Brasil e voltei, aí o médico perguntou aonde que ele estava no Brasil. E o meu tio falou que estava em Corumbá. Aí o médico falou para ele: o meu pai também estava na mesma cidade. E aí o médico falou: como é seu nome? Aí ele falou: Elias Duailibi. E ele falou: o senhor lembra de uma briga que teve num bar e você pegou um patrício seu e tirou, e salvou ele lá de morrer? Ele falou: eu lembro. Ele falou: esse senhor era meu pai. Então eu achei uma história muito emocionante, essa coincidência. Mas a vida dá muita volta e isso pode acontecer.

FD: Fale um pouco sobre sua vida, sua infância
ED: Minha infância foi muito boa. Em Campo Grande, meus pais estavam muito bem de situação, graças a Deus eu tive uma infância muito boa. Depois nós viemos para Araraquara e eu fui estudar no Grupo Escolar. Lá eu fiz o segundo ano. O terceiro ano eu voltei para o Liceu Coração de Jesus e aí me formei no Liceu e comecei minha vida de trabalho, ajudando meu pai nos hotéis. Depois eu enveredei para outro ramo, de posto de gasolina, estacionamentos e o mais forte foi uma frota de carros que eu tive na Praça João Mendes, atrás da Catedral. Fiquei muitos anos trabalhando com táxi e frota até que eu decidi descansar porque era muito trabalhoso. A gente vai diversificando e eu comecei a investir em outras áreas, em imóveis, para poder ter uma velhice mais tranqüila. E assim foi minha vida até agora. Meu casamento foi muito feliz, agora em setembro eu vou fazer 60 anos de casado, dia 14 de setembro. Eu não posso reclamar, fui muito feliz, tive dois filhos maravilhosos, o Sílvio e a Thereza e graças a Deus estou com saúde até hoje, já vou fazer 81 anos dia 26, me sinto muito bem e dou graças a Deus pela saúde de todos nós, da nossa família. Tenho dois netos, filhos do Sílvio. Um tem o mesmo nome que o meu: Eduardo Filippe Duailibi Neto e o outro é Michel Sílvio Duailibi.

FD: Que histórias sobre esse sentimento de ser descendente de Libaneses, sobre os Duailibi o senhor conta para eles?
ED: Nós temos muito orgulho de ser descendentes de Libaneses, principalmente da nossa família. Nossa família é muito grande e apesar da diversificação do sobrenome somos todos parentes e nós temos muito orgulho disso. Nós temos grandes expoentes na nossa família como o Roberto Duailibi, como foi o deputado Jamil Duailibi, como o atualmente presidente do Corinthians Alberto Dualib, então a gente se sente orgulhoso por essas pessoas também que venceram na vida e elevaram bastante o nome da família.



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