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Na Mosca!
30/5/2007
A família D tem acumulado muitas histórias de sucesso. A próxima edição da nossa news apresentará a trajetória dos Ds em diversas modalidades esportivas: xadrez, natação e até mesmo arco e flecha. Leia aqui trechos de uma entrevista com Sylvia Duailibi, publicada em 1990. Conheça os segredos da campeã de arco e flecha, um esporte ancestral que mistura as culturas do Oriente e Ocidente.

Matéria publicada no jornal Diário Popular, São Paulo, SP. No suplemento Revista, em 29 de março de 1990. Por Marisa Raja Gabaglia.

Marisa: Arco e Flecha para você é um hobby? Como começou?
Silvia: Começou em 84. Eu vi um curso no jornal. Achei bonito, gostoso, mas não sabia como funcionava até que descobri um casal de instrutores no Ibirapuera. Passei a conhecer melhor o arco e a flecha que funcionou para mim como uma terapia. Me identifiquei de imediato até com o desenho industrial. Foi uma empatia, o arco como instrumento e a minha forma física. O arco que estica, retém, depois explode toda a força para fora, para um ponto dirigido. É um exercício de concentração e uma liberação quando se atinge o alvo.

Marisa: O que se exige para ser um arqueiro?
Silvia: Primeiro você tem que estar bem fisicamente. Eu faço exercícios, aeróbica, natação, alongamento para poder segurar o arco, que pesa 1 quilo e 200 gramas e você tem que puxar a corda. Ela pesa 18 quilos cada vez que eu a reteso, por isso a força precisa ser interiorizada.

Marisa: A visão não é muito importante no arco e flecha?
Silvia: A visão, a percepção e o instinto. Os japoneses praticam muito o tiro instintivo, sem mira, à luz de velas contra um fardo e praticamente no escuro com um arco de madeira excepcional.

Marisa: Seria impossível explicar aqui toda a teoria e prática do arco e flecha. Basicamente as disputas são Indoors, em espaço fechados, ou na Fita, em espaços abertos. Qual das duas modalidades você prefere?
Silvia: Gosto das duas. Ao ar livre tem mais obstáculos porque a competição não pára nem com o frio nem com a chuva. Você tem que calcular o sol, a umidade da terra, o vento. E tudo depende tanto da concentração que eu quero te contar uma historinha: durante uma tempestade em que um companheiro estava sempre acertando no amarelo, o outro, que não acertava nada, perguntou: como é que você está fazendo? Onde está mirando? Ele respondeu: estou mirando no seu alvo (risos).

Marisa: Silvia, quando você se concentra, mira, retesa o arco e solta a flecha, em algum momento, nessas competições, você pensou em alguma coisa?
Silvia: (Sorri e responde com uma profunda doçura): em Deus.

COMO FUNCIONA
Marisa: Dá para você fazer uma demonstração?
Silvia sorri e concorda. Tem os cabelos Chanel cinza prata e os olhos muito azuis. Vai buscar o equipamento que cabe numa caixa branca comprida.

De lá ela tira um arco lindíssimo de madeira recoberto com lâminas de fibra de carbono e vidro. Empunhadura de aço. Cada pessoa tem um tamanho de arco.

O de Silvia tem 66 polegadas e 38 palmos que equivalem a 18 quilos, na puxada. As flechas são de fibras de carbono com penas spinn wing. Silvia coloca o protetor para seios (as amazonas cortavam o seio esquerdo por causa do atrito da corda) e nos encaminhamos pelo extenso gramado até chegar ao declive onde estão os tubos no chão que marcam as distâncias para o alvo: 70, 60, 50, 30 até 18 metros.

Silvia deposita a aljava repleta de bottons de todos os países no chão, e pára a 18 metros do tubo que fica a 18 metros do alvo preto, azul, vermelho e amarelo. Ela segura o arco, puxa a corda, coloca a flecha, mira e solta. A flecha atinge o miolo amarelo do tamanho de um colar de prata, na mosca.



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