Notícias
Aqui você pode listar notícias e atualidades.
 Localizar   
Compartilhe
Tamanho da fonte



Líbano busca solução para racionamento de energia elétrica
6/9/2009
Quase 20 anos depois do fim da guerra civil no Líbano (1975-1990), seus habitantes continuam submetidos a um racionamento de energia elétrica que deixa muitos no escuro durante horas, por um problema que vários libaneses consideram ser mais político que econômico.

A restrição da eletricidade deixa Beirute sem luz durante três horas por dia, mas, em outras regiões do país, o corte pode durar entre seis e oito horas, às vezes até mais.

A situação na casa do funcionário estatal Hector Droubi poderia definir a aflição diária de muitos libaneses.

"As horas de corte de eletricidade se transformam em um inferno em minha casa. Meus dois filhinhos têm que estudar sob a luz de velas", explica Droubi à Agência Efe. "São crianças inquietas e sempre temos medo de que se queimem".

"Infelizmente, não tenho os meios necessários para contar com um gerador. Meu salário não permite", lamenta Droubi, que culpa os governantes.

O especialista do Ministério de Energia e Água que trabalha no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud, na sigla em inglês), Pierre Jury, reconhece que "houve investimentos gigantescos, mas é necessária uma decisão política para poder fornecer 24 horas de eletricidade à população".

"Os conflitos políticos não só no Estado, mas também no seio da companhia estatal de eletricidade do Líbano (EDL), impedem que se tomem as decisões adequadas", acrescenta Jury.

O especialista se refere aos contínuos conflitos políticos no país, que, atualmente, mantém o Governo sob um impasse há três meses, pelas divergências entre os diferentes partidos, o que impede tomar decisões como a modernização das infraestruturas.

À falta de planejamento político, é preciso acrescentar, entre outros temas, o fato de que algumas regiões não pagam o consumo, a existência dos campos de refugiados palestinos, os roubos à rede elétrica, a corrupção e o esbanjamento de energia.

Por outro lado, os cortes de eletricidade são frequentemente motivo de enfrentamentos e incidentes entre moradores, forças de segurança e a EDL.

Muitos funcionários da empresa de eletricidade encontram obstáculos para desenvolver seu trabalho. De fato, em algumas ocasiões, trabalhadores são agredidos quando vão pessoalmente às casas das pessoas para cobrar as contas ou desligar instalações ilegais, e, em alguns casos, chegam a ter que fazer o serviço acompanhados por oficiais das forças de segurança.

Uma fonte do Banco do Líbano, que pediu para não ser identificada, disse à Efe que as despesas com eletricidade significam ao Estado um valor mínimo anual de "US$ 1,5 bilhões, sendo a carga que mais pesa sobre a dívida, que chega a US$ 47 bilhões".

Apesar do racionamento, muitos libaneses pagam, às vezes, contas exorbitantes, às quais se somam às dos geradores autônomos utilizado pelos mais ricos, e cujo uso custa entre US$ 60 e US$ 200 por mês.

Hana, uma mãe de família, cujo salário com o de seu marido cobre apenas as despesas com comida e com a educação de seus filhos, se queixa do valor pago.

"Parece que querem nos manter em um estado de dependência da eletricidade, para que, a cada ano, paguemos uma conta mais alta, sem poder aproveitar dela", lamenta.

Para aliviar o déficit de energia e o alto preço do combustível das usinas, o Líbano assinou um acordo com o Egito, que proporcionará o fornecimento de 3 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia.

O abastecimento começará no dia 15 deste mês, mas somente com a metade da quantidade.

A partir dessa data, a metade do gás servirá de combustível para a central de geração de Bedawi, no norte do país, com 450 megawatts de potência.

O especialista do Pnud esclarece que essa quantidade "não significa um valor agregado em termos de eletricidade, e só permitirá substituir o gasóleo pelo gás, menos caro e mais limpo".

Outro especialista do Ministério de Energia consultado pela Efe, Hussein Salum, calcula que "o Líbano necessita mais ou menos 2.450 megawatts para cobrir sua demanda diária, mas a quantidade real que produz é de 1.512". EFE

(fonte: G1 - http://g1.globo.com )



voltar


Política de privacidade. ©2014. Criação FamilySites.com.br