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A Fazenda da Tia Elza
Contribuição: Izabel de Fátima Monteiro Duailibi da Costa




Das lembranças da minha infância, as mais doces remotam às minhas viagens à fazenda da minha tia Elza...
Ah! Aquele cheiro tão maravilhoso do mato, o monte de primos correndo pelo casarão, e os cafés-da-manhã regados a bolinhos, leite tirado na hora lá no curral...quantas delícias eu guardo dentro do meu coração.

À noite, as histórias eram de dar arrepio, porque sempre havia uma história de fantasmas, de almas penadas, que ninguém conseguia sequer buscar um copo d´água ou mesmo ira ao banheiro sozinho...tinha que ser sempre uma renca de moleque morrendo de medo! Me lembro do orvalho das manhãs tão friazinhas, do mato molhado, dos cavalos, da bica onde a gente passava prá chegar no riacho, e tudo isto só era possível por causa dela, da Tia Elza...

Eu nunca conheci alguém assim, tão brava, e tão doce ao mesmo tempo, mas também, só sendo assim, para ir recolhendo, além dos quatro filhos, todos os sobrinhos que ia encontrando pelo caminho que levava àquela fazenda...Todo mundo tinha um respeito enorme dela, e no fundo, um medo danado de apanhar de varinha, mas era só ela passar e perguntar se a gente queria ir prá fazenda com ela que a mochila já estava lá, na camioneta.

Estas lembranças, jamais, jamais serão apagadas da minha mente, e muito menos do meu coração, porque lá todo mundo ria muito, de felicidade, uma felicidade tão inocente que não se encontra facilmente a não ser no sorriso de criança mesmo...

Tudo, tudo era tão bom: ver aquele monte de tios trabalhando, o Tio Felício, no curral, a Tia Abadia, a Tia Elza e todas as outras tias nas comidas maravilhosas para que aqueles natais da fazenda tivessem mesmo um sabor especial, um sabor que só se encontra nos temperos com amor...

E lá estava a família toda, numerosa, farta de filhos, de noras, de netos, primos, parentes, uns mais distantes, outros mais próximos, mas todos unidos pelos mesmos laços das famílias que realmente fazem questão de serem especiais...

O Tio Ricardo, o Tio Alberto, o Tio Eduardo, meu pai, a Tia Vera, e a minha saudosa Tia Elza, todos filhos desta mulher que prá mim é a maior tradução de uma mulher guerreira na acepção da palavra, a minha avó Izabel. Hoje, nós crescemos, temos filhos, alguns de nossos filhos já tem filhos, e lá está ela, como uma árvore forte, machucada pelas tempestades da vida, sem alguns galhos, sem algumas folhas e flores, com seu tronco já sofrido e calejado, de pé, chorando a perda de mais um dos seus frutos que se foi, a Tia Elza!

Minha família inteira chora a sua partida, tão sofrida, neste dia 22/2/2010 ...

Com ela, lá se foram quatro dos seis filhos da minha avó, e, hoje, só ficaram o meu pai, Maurício e a minha Tia Vera, junto à minha adorada avózinha.

Não temos mais os mesmos natais, não temos mais a fazenda, os tios e aquela mesma felicidade onde até os dias de chuva eram chramosos, mas temos, certamente gravados em nossos corações as lembranças daquele tempo maravilhos, que mesmo que não voltem mais, nos acompanharão até o fim dos nossos dias, e, quem sabe um dia Deus nos permita a todos, ouvirmos juntos novamente a minha Tia Elza cantando QUEM SABE? de Francisco Petrônio, nas nossas saudosas e inesquecíveis noites na fazenda...


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Relatos em áudio
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• Dr. Victor Duailibi, em 08/08/2000 - parte 2

• Vitória Duailibi, em 17/08/1997 - parte 1

• Elza Duailibi, em 21/05/1998

• Vitória Duailibi, em 17/08/1997 - parte 2

• William C. Duailibi, em 17/05/1998 - parte 1

 
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